A avaliação na Projeto é contínua e levada muito a sério, no sentido de que estamos sempre atentos às ações de todos na escola, tendo em vista o cumprimento de nossos objetivos nos diferentes âmbitos da vida escolar.

O acompanhamento próximo está presente no cotidiano da escola, entre todos(as), bem como os momentos de reflexão conjunta e individual sobre alternativas de melhoria, de modo a obtermos a crescente qualificação da prática dos(as) professores(as), e equipe em geral, e a maior riqueza possível de aprendizagens dos(as) alunos(as).

Isso porque a avaliação, para nós, não é um momento terminal do processo educativo, mas, ao contrário, sempre o início de algum novo processo.

A escola acompanha e analisa o desempenho de seu trabalho através de diferentes instrumentos aplicados em diferentes momentos do ano letivo. Cada instrumento é constituído a partir das demandas surgidas na prática pedagógica diária e serve para caracterizar os pontos relativos a avanços, a metas já alcançadas ou a serem ainda desenvolvidas.

A cada período letivo (trimestre, semestre, ano) a escola procura fazer os ajustes necessários e possíveis no seu trabalho, conforme os resultados obtidos com a análise do conjunto de documentos e instrumentos montados para esse fim (questionários, observações, reuniões, atas e bilhetes etc.), os quais abrangem os diferentes segmentos da escola e a relação entre eles: o trabalho desenvolvido pelo corpo docente, o resultado obtido pelos(as) alunos(as) em termos de qualidade de ensino, o retorno da comunidade escolar e a avaliação da equipe diretiva.

A equipe diretiva mantém e desenvolve uma postura de abertura/escuta às necessidades da comunidade escolar, procurando acolhê-las dentro do possível em termos de coerência com a proposta da escola, com sua realidade e possibilidades administrativas e funcionais. Para isso está sempre atenta e em contato com os diferentes segmentos dessa comunidade, através de reuniões sistemáticas, pesquisas especialmente encaminhadas para tal fim ou contatos informais.

Não utilizamos notas, conceitos ou qualquer outro tipo de menção. Tampouco são realizadas provas específicas para avaliação dos(as) alunos(as). Os resultados são comunicados, então, através de avaliações qualitativas, descritivas e, o mais possível, personalizadas.

A escola escolheu como instrumentos de avaliação a observação e o registro sistemáticos do desenvolvimento dos(as) alunos(as), considerando os diversos trabalhos propostos e tendo em vista o acompanhamento do desempenho em relação aos objetivos traçados para cada etapa da escolaridade, assim como a busca de melhores formas de intervenção no sentido de concretizá-los.

Essa prática avaliativa exige bem mais de toda a equipe. É preciso conhecer de forma aprofundada as teorias do conhecimento, ter uma visão ampla e detalhada das didáticas das diferentes áreas e capacidade de descentração – pensar como o(a) aluno(a) pensa e porque ele pensa dessa forma -, para que essas observações e registros sejam consistentes e coerentes. Mas achamos que vale a pena investir na formação continuada que essa avaliação exige, porque ela é mais coerente com a nossa proposta pedagógica como um todo, e com a concepção que temos de avaliação como uma busca de compreensão do processo do educando (suas reações, manifestações, dificuldades).

Há um momento inicial de avaliação nos primeiros dias do ano letivo a fim de promover a aproximação do(a) professor(a) com o perfil de desenvolvimento dos(as) alunos(as) em cada grupo. As observações dessa etapa, aliadas às informações recebidas dos(as) professores(as) anteriores e da coordenação, fornecem aos educadores os elementos essenciais para a elaboração e reestruturação dos projetos de trabalho. Esse tipo de avaliação aparece também durante todo o período letivo na forma de registros semanais do desempenho do grupo e de cada aluno(a) em especial.

A avaliação semestral (educação infantil) ou trimestral (ensino fundamental – anos iniciais) é resultado da observação e registro do desenvolvimento das crianças nas diferentes áreas do conhecimento, sendo realizada sempre em duas instâncias:

  • Pré-conselhos – análise e registro do desenvolvimento do grupo e de alguns(as) alunos(as) que demandam alguma preocupação maior, a partir dos objetivos propostos para o período, os quais são elaborados pelos(as) professores(as) e socializados com a coordenação pedagógica a fim de formular encaminhamentos a serem implementados a partir dali. Esses pré-conselhos ocorrem sempre no meio do semestre ou trimestre e a partir deles são realizados encaminhamentos aos chamados “Grupos de Apoio” (ver abaixo), no caso dos anos iniciais, e, quando for o caso, solicitações especiais às famílias.
  • Conselhos de Classe – análise individual do desenvolvimento de cada aluno(a) em relação aos objetivos do período, registrada através de planilhas específicas nas quais constam informações sobre o seu desenvolvimento cognitivo e afetivo. Esses conselhos são realizados ao final de cada semestre ou trimestre com todos(as) os(as) professores(as) da turma e coordenação, e seus resultados são informados às famílias a aos(às) alunos(as) através dos relatórios escritos.

Como critérios de avaliação utilizamos os seguintes níveis:

A – Atingido, que significa que o(a) aluno(a) manifesta com autonomia o conhecimento, procedimento ou atitude expresso no objetivo em questão, na maior parte das situações propostas;

AP – Atingido Parcialmente, que quer dizer que o(a) aluno(a) consegue manifestar em alguma dimensão o conhecimento, procedimento ou atitude expresso no objetivo em questão, mesmo que não seja em todas as situações e que, para isso, ele(a) deva ser questionado(a), lembrado(a) ou apoiado(a) pelo(a) professor(a) ou por materiais de consulta; ou seja, sabemos que ele(a) está no caminho, avançando em relação ao objetivo em questão, que é capaz de mostrá-lo em alguma medida, mas ainda não apresenta autonomia em relação a ele, faltando apenas sistematizá-lo ou praticá-lo um pouco mais;

NA – Não Atingido, que significa que o(a) aluno(a) não manifesta na maioria das vezes em que é solicitado(a), mesmo com auxílio, o conhecimento, procedimento ou atitude expresso no objetivo em questão; encontra-se, em relação a ele, num nível anterior, o que pode significar uma dificuldade do(a) aluno(a), momentânea ou não, em termos intelectuais e/ou emocionais; pode também estar relacionado a alguma resistência que ocorra por diferentes motivos, como inexperiência na área, experiência negativa anterior etc., o que ocorre às vezes em casos de transferências, por exemplo, ou outra questão, que se procura detectar e explicitar; de qualquer forma está aquém do esperado e exige atenção especial da escola e da família, no sentido de superar a situação.

Em relação a esses critérios avaliamos o desempenho dos(as) alunos(as) nos diferentes conhecimentos, procedimentos e atitudes esperados para o período, em cada área de ensino. A análise e o acompanhamento das produções dos(as) alunos(as) nas diferentes áreas, ao longo do trimestre/semestre, bem como as observações de suas falas, expressões e posturas apresentadas ao longo de cada período são os meios que permitem aos(às) professores(as) situar cada criança em relação a si mesma e ao grupo, construindo sua avaliação e pensando as perspectivas de trabalho dali para frente.

Tendo em vista o regime seriado anual da escola, a avaliação no ensino fundamental, a partir do 3º ano tem o objetivo de promoção dentro dos níveis, podendo ser retido o(a) aluno(a) que não atingir o mínimo determinado de competências, habilidades e atitudes para alguma etapa, tendo de refazê-la. Mesmo se tratando de casos extremos, que a escola se organiza ao máximo para evitar, trabalhando para a aprendizagem e o desenvolvimento de todos(as), no seu próprio ritmo e consideradas as suas possibilidades do momento, esse tipo de situação pode acontecer. Dessa decisão participam, além dos(as) professores(as) e da coordenação, o(a) profissional da Sala de Recursos Multifuncionais, no caso de atender a criança no turno inverso ao regular, os(as) especialistas que tratam da criança, se for o caso, e a família, o que não exime a escola de ter a palavra final, dada a sua competência para tal.

Quando isso ocorrer – a indicação de retenção -, outra situação a ser levada em conta é a possibilidade de ‘Progressão Parcial’, recomendada pela LDBEN, no inciso III do seu artigo 24, segundo a qual é possível aprovar o(a) aluno(a) com aprendizagens não construídas no decorrer do ano letivo e passíveis de avanço na série/ano seguinte, através de estudos complementares, seja pela frequência aos “Grupos de Apoio”, por tarefas especiais diferenciadas ou tarefas extras, para a superação de dificuldades ou a construção de conhecimentos necessários. Segundo o Parecer CEEd nº 02/2022, no entanto, a escola deve definir o número de componentes curriculares ou áreas do conhecimento em que o(a) aluno(a) poderá ser promovido(a) nessa modalidade de Progressão Parcial, que no nosso caso são dois (2) componentes curriculares como máximo. Ou seja, se ele(a) não estiver apto(a) a avançar para a série/ano seguinte em mais de dois componentes curriculares, a Progressão Parcial não poderá ser aplicada, entendendo-se que fica muito difícil seguir progredindo na série seguinte com mais de dois componentes curriculares para serem recuperados. 

As exceções são as progressões do 1º para o 2º ano e do 2º para o 3º ano, que devem ser asseguradas automaticamente, segundo Parecer nº 545/2015, reforçado pela Resolução CEEd nº 345/2018.

Os resultados são registrados através de um relatório geral da turma e de um relatório individual. Esses documentos são entregues ao término de cada semestre (educação infantil) ou trimestre (ensino fundamental) do ano letivo para as famílias.

relatório geral é um relato mais objetivo que informa sobre os conteúdos e as propostas de aprendizagem desenvolvidos com a turma, em cada área, analisando o desempenho do grupo.

Na avaliação individual, os relatórios avaliam o desempenho de cada criança, dando um retorno às famílias e ao(à) próprio(a) aluno(a) sobre suas aprendizagens e posturas, de acordo com o que foi trabalhado em cada área no período.

O relatório geral da turma é postado no site, na parte especial em que somente entram os familiares, com sua senha, e a avaliação individual vai impressa para casa, de forma a poderem apreciá-los com antecedência à reunião com a professora, para, então, discutirem os aspectos relevantes, as dúvidas, as sugestões ou questões em relação aos mesmos.

Além desses encontros coletivos, pais e mães são atendidos individualmente em diferentes momentos do ano, sempre que isso se faz necessário, pelos(as) professores(as) e/ou com coordenação ou direção, conforme a necessidade. A iniciativa desse encontro pode ser da coordenação e professores(as) ou das próprias famílias, de quem a escola procura estar sempre próxima, esclarecendo, informando, avaliando e tomando decisões em conjunto.