Laura Becker e Márcia Rolim (1)
No dia 27 de setembro nossa escola viveu a Mostra de Artes de 2025. Esse é sempre um momento bonito por natureza, quando vemos a escola pulsando, repleta de gente e de arte, quando podemos perceber o “corpo” do muito que nasce dentro dela. Foi mais um dia de alegria, de cores, de encontros, conversas e movimentos. Mas dias antes, um outro movimento nos tocou de forma ainda mais profunda: nas finalizações da produção dos relicários (2), paramos para olhar para eles e conversar sobre os processos. E dessa conversa, floresceram muitas emoções que ainda seguem reverberando por aqui…

Para nós, professoras, acompanhar as crianças na construção de seus relicários foi algo muito especial, daqueles momentos em que a gente repara na beleza que existe no processo, mais do que no resultado final. Foi emocionante estar junto, mediar e observar de perto o quanto cada um(a) foi crescendo, refletindo sobre o belo, sobre as memórias e os afetos que compõem a história de cada um(a) de nós. A arte, nesse caminho, mostrou-se como um espaço potente de sensibilização e reflexão, um jeito delicado e profundo de nos aproximarmos daquilo que nos habita.
Mais do que um trabalho de aproximação do fazer artístico da artista convidada, sentimos que foi uma experiência de mergulho interior. Vimos as crianças descobrindo que dentro de si existe um mundo cheio de lembranças, de sentimentos e de pequenas coisas que carregam grande valor. Foi bonito escutar delas que se sentiram criativas, que olharam para dentro de si mesmas, que conseguiram perceber a beleza nas memórias e valorizar o que é único e afetivo em suas vidas.
Cada um(a) viveu esse processo de um jeito, passando pelas mudanças de ideias, pela busca de dar forma ao que amam, mas também descobrindo que falar sobre si é sempre cheio de possibilidades. E assim, juntas com eles(as), entendemos que o belo não está no perfeito, mas no vivido, e que a nossa história pode ser contada de muitas formas, mudando sempre, do mesmo jeito que mudamos nós. E que bom que é assim!

(1) Professoras regentes do 3º ano do Ensino Fundamental da Projeto.
(2) No estudo de Artes sobre a artista Daisy Viola, as crianças foram convidadas a refletir sobre como a Arte expressa vivências, afetos e experiências. Nessa produção, inicialmente, identificaram suas preciosidades pessoais e registraram esboços dos relicários que as representassem. Nas semanas seguintes, transformaram essas ideias em criações autorais, utilizando diversos materiais — como caixas, tintas, cola, papelão, madeira, bichos de pelúcia, roupas, chaveiros, livros e tecidos — para compor seus próprios relicários, carregados de significado, afeto e memória.
Foto: Fabio Alt
