Skip to content
Educação Infantil e Ensino Fundamental
facebook
youtube
instagram
Escola Projeto
Telefones (51) 3331 7384 (51) 3333 4154 WhatsApp 51 99994 4169
E-mail infantil.escolaprojeto@gmail.com fundamental.escolaprojeto@gmail.com
  • A Escola
    • História
    • Equipe
    • No que acreditamos
    • NAMP
    • Depoimentos
    • Galeria Ex-alunos(as)
    • Hino
    • Localização
  • Matrículas
    • Matrículas 2026
    • Inscrições 2027
  • Acesso Famílias
    • Agenda
    • Organização Curricular
      • OC -Turmas Educação Infantil
      • OC – Turmas Ensino Fundamental
    • Dúvidas Frequentes
  • Canais Projeto
    • Blog
    • TV
    • Publicações
    • Conversa para Maiores
    • Podprojeto
  • Atividades Especiais
    • Acontece na Projeto
    • Projeto Indica
    • Atividades Extracurriculares 2026
    • Artistas Convidados
      • Artistas Convidados 2026
      • Artistas Estudados Anos Anteriores
  • Cursos
  • Músicas
  • Fale Conosco
    • Contato
    • Trabalhe Conosco

O anticapacitismo é uma ética: caminhos para educar juntos

Home > Blog > O anticapacitismo é uma ética: caminhos para educar juntos

O anticapacitismo é uma ética: caminhos para educar juntos

Postado em 27 de março de 202627 de março de 2026 por Escola Projeto
0

Fernanda Lantz (*) e Gabriela Araújo (**)

Foi com grande alegria que convidamos Mariana Rosa (1), que há muito tempo nos provoca a ampliar o olhar no campo da educação e da inclusão, para conversar com nossa comunidade sobre como educar crianças anticapacitistas. Na noite chuvosa de 23 de março, estivemos reunidos no auditório do Prédio 9 da PUCRS para esse momento.

Mariana abriu sua fala citando Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. E situou o campo: de largada já nos colocou que o anticapacitismo é uma ética e não uma técnica. 

Em uma fala cuidadosa e muito didática, nos conduziu a refletir sobre o modelo de deficiência a partir do qual fomos forjados: quem são as pessoas com deficiência com quem convivemos e que lugar elas ocupam na sociedade. Mostrou o quanto o capacitismo é uma estrutura que normatiza as relações sociais, contribuindo para uma construção hegemônica sobre infância, sobre modos de aprender e de circular socialmente. E o quanto só conseguiremos nos deslocar disso se assumirmos as existências em igualdade de condições com diferentes corporeidades, assumindo o fato de que o comum precisa incluir a experiência de todas as pessoas.

Apresentou as elaborações do modelo social de deficiência, que tem como principal premissa a concepção de que a deficiência não está localizada no indivíduo e deve ser tomada como uma questão social. Podemos pensar nessa ideia, por exemplo, considerando que a dificuldade de uma pessoa que necessita de cadeiras de rodas não está no fato de não conseguir andar e sim na falta de acessibilidade de nossa sociedade. A deficiência se encontra no impedimento social de alguém se locomover sem ser sobre as próprias pernas, e não nas pernas.

Avançamos, então, para o conceito de interdependência ao reconhecermos que ninguém é totalmente independente: em diferentes momentos, todos nós contamos com apoios, cuidados, explicações, adaptações e relações para nos envolvermos nas atividades do dia a dia. Isso não é uma limitação, mas uma forma de convivência: é o que nos conecta e o que possibilita que cada pessoa esteja no mundo com suas características, contando com o outro e também oferecendo apoio quando possível.

Mariana propôs que mais importante do que promover a empatia é assumir uma intencionalidade pedagógica, capaz de transformar as perguntas ingênuas das crianças sobre corpos ou comportamentos diversos em curiosidade epistemológica. Uma curiosidade que identifica barreiras, questiona estruturas e comportamentos que dificultam ou até inviabilizam a plena participação dos(as) colegas nas brincadeiras, passeios, atividades em sala, festas de aniversário etc. Somente a partir dessa reflexão é possível encontrar caminhos verdadeiramente inclusivos.

Nossa escola, que conta hoje com 37 anos, tem como missão compreender a educação escolar “como um ato fundamentalmente político, que envolve escolhas relacionadas às concepções do conjunto da equipe e de sua comunidade”. Desde sua fundação, a Projeto recebe crianças com deficiência, sustentando uma proposta de escola para todos. No entanto, de lá para cá, o cenário da educação passou por muitas transformações: novas leis, novos conhecimentos, novas compreensões sobre a deficiência e também novos desafios.

Podemos situar como uma das principais mudanças tanto na compreensão quanto na legislação sobre a deficiência, a Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência, lançada em 2007 pela ONU e assumida pelo Brasil no ano de 2009. A Convenção propõe, em seu primeiro artigo que:

“Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.”

Reafirma-se aqui o deslocamento da deficiência do indivíduo para as barreiras sociais com as quais o sujeito se depara. Além disso, a Convenção situa a pessoa com deficiência como cidadão, sujeito de direitos, de forma que políticas públicas específicas devem garantir o direito de igualdade de condições e oportunidades de participação social.

Se trazemos esses marcadores legais aqui é para situar que fomos percebendo enquanto escola, que, para além do desejo de ser inclusiva, é fundamental um letramento cada vez maior em relação ao tema por parte da equipe (tanto pedagógica quanto administrativa) e também da comunidade escolar. Sabemos que cada membro dessa comunidade está em um ponto diferente de compreensão. 

É nesse contexto que a escola vem estabelecendo interlocuções, e é aqui que situamos o convite para a conferência, que foi aberto à equipe e à comunidade escolar: desejamos promover um letramento comunitário, construir uma base comum, para que possamos estar cada vez mais “na mesma página” e, com isso, avançarmos juntos.

Mariana conclui sua conferência citando Hannah Arendt e nos provocando com a pergunta sobre se “amamos suficientemente o mundo a ponto de assumirmos a responsabilidade por sua transformação”. Com essa provocação, nos lançamos para o ano que se inicia. E ficamos com a certeza de que se um galo sozinho não tece uma manhã, juntos, podemos pensar em novas manhãs e amanhãs possíveis.

(*) Fernanda Lantz é educadora especial e psicopegagoga clínica. Mediadora de leitura na mala.monstro e Responsável pelo AEE da Escola Projeto.

(**)Gabriela Araújo é psicóloga e psicanalista. Doutora em psicopatologia psicanalítica. Pesquisadora e clínica do campo das infâncias. Assessora na Escola Projeto.

(1) Mariana Rosa é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da USP. Mulher com deficiência, com histórico de ativismo em movimentos sociais, é integrante do Coletivo Feminista Helen Keller e fundadora do Instituto Caue. É também educadora popular e assessora escolas das redes pública e privada no tema da educação inclusiva. Atualmente, é conselheira do Conselho Nacional de Educação e, há 12 anos, mãe da Alice.

Blog

  • Educação infantil
  • Ensino fundamental
  • Famílias e Escola
  • Pais e Filhos
  • Reflexão de Professor/Especialista
  • Reportagem
ESCOLA PROJETO
Avenida Ipiranga, 585 - Bairro Menino Deus Porto Alegre / RS
(51) 3331 7384
infantil.escolaprojeto@gmail.com

Redes Sociais

instagram
youtube
facebook
Escola Projeto 2020 - Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Clic Agência Digital