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A poesia e a música como constituição do ser (1)

Home > Blog > A poesia e a música como constituição do ser (1)

A poesia e a música como constituição do ser (1)

Postado em 26 de setembro de 202526 de setembro de 2025 por Escola Projeto
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Celso Gutfreind (2)

Se um dos alvos principais de ataques à democracia é negar a história…
Se o começo da vida de uma criança é justamente marcado pela curiosidade e perguntas sobre a própria origem…
Se no núcleo de toda neurose existe uma pergunta não respondida, uma mentira que boicotou a poesia, logo a narrativa…
Comecemos contando a história de eu estar aqui, com vocês, na Ecosys un Summit. Muito obrigado.
O César Paz me telefonou… corrijo… ninguém mais telefona hoje em dia.
O César Paz mandou uma mensagem de whatsapp e começamos a falar por áudios.
Ele se dirigia ao psiquiatra e ao psicanalista, mas eu já fui falando como poeta. Pobre César!
Mas insisti: que me convidasse como poeta.
Ele me convidou.
Eu não estava sendo um oportunista do tipo a sala estará cheia e eu, finalmente, poderei desencalhar meus livros de poemas que só causam estorvos para o editor.
Quem lê poesia?
Desde que minhas milhares de tias faleceram, eu nunca mais consegui vender meus livros de poemas. Elas nunca faltavam aos lançamentos. Meus primos hoje não querem nem saber.
Não, não era isso.
Queria estar aqui mais como poeta do que como psiquiatra e psicanalista.
Mais como artista do que como cientista.
Porque a psicologia mais certeira vive da arte e tem, hoje, evidências suficientes para provar que somos a nossa subjetividade.
Esta começa no encontro com outras subjetividades.
Da intersubjetividade à subjetividade. Em casa, na escola, na comunidade.
São encontros com mãe, figura materna, padrinhos, tias (que compram livros de poemas), amigos.
São encontros baseados no olhar, porque somos frutos de um olhar.
São encontros baseados nos banhos de sons, porque somos frutos dos sons, da música, da prosódia, das palavras que são música, do era uma vez e do era uma voz.
São encontros baseados no toque, no colo, na massagem, porque somos frutos de uma pele que desperta a nossa pele.
Isso não se faz à distância.
Nem por telas.
Nem por áudios.
Nem virtualmente, em especial no começo.
Isso precisa ser real, afetivo, implicado.
Sem isso, não somos e, sem sermos, não pensamos, não sentimos, não nos ligamos, não nos implicamos, não amamos.
Logo, não pesquisamos. Nem cremos.
E isso tudo é poético, não da poesia que alguns insistem em continuar fazendo, mesmo que ninguém leia.
Estou falando da poesia do começo. Inaugural. Do olhar maravilhado de um adulto diante de um bebê, dizendo em silêncio para ele que estar no mundo vale muito, que estar com o outro vale a pena.
Depois, o banho de vozes, de toques.
Essa poesia do começo é que nos constitui como pessoas capazes de não adoecer, de permanecermos vivos, pensando, sentindo, crendo.
É a poesia da vida em si.
Não se escreve nas páginas dos livros pouco lidos.
Ela se escreve na vida, quando nos tornamos capazes de pensar e, depois de muita poesia vivida, adentrar a prosa. E contar. E ouvir. E perguntar.
E amar, logo lutar, mesmo que em vão, pela preservação de um Planeta. Por um mundo mais justo, com respeito às diferenças, com menos diferença social e econômica.
Por isso, vim como poeta e tenho a pretensão de dizer que poesia e música (poesia é ritmo e música) são fundamentais na nossa constituição, na nossa sobrevivência física e psíquica, no nosso distanciamento de um radicalismo que nega a fragilidade do indivíduo e do seu Planeta.
Como disse um grande poeta, meu tempo é este. Onde e quando. Melhor e pior.
Melhor na luta contra os preconceitos de todos os tipos.
Melhor na possibilidade de cientificamente lutar contra doenças graves, para quem tem acesso aos tratamentos.
Mas pior, muito pior, no acesso a essa subjetividade necessária nos nossos começos para que nos tornemos pensantes, sentintes, não radicais.
Quando ouço Daniel Drexler e sua entropia, me relanço nessas utopias e faço poemas.
Pouco importa que ninguém vai ler.
Dentro de mim, as tias leem ainda.
Fora de mim, relanço um olhar maravilhado para a filha, para a companheira, para meus pacientes, para meus amigos da rua, quando volto no final do dia caminhando para casa.
Para vocês.
Para o Daniel.
Fiz este poema alimentado pelas músicas dele.

De poema em poema ou chegar aonde pode o coração

É quase tudo começo
quando soa
como soa
onde soa
a semente
transparente
para que
como nunca
floresça –
pode ser
só por dentro –
e o que se apaga
– o amor eterno –
se apague
lentamente

é quase tudo começo
algo resta sempre
para o recomeço

Tudo o que eu disse e me parece importante está no poema, logo na música do Daniel.
Por isso Freud, invejava os artistas.
Sabia que haviam chegado antes dele ao que mais importa para que a gente possa ter, primeiro, uma vida, depois uma vida interessante, depois uma vida amorosa.
O cuidado com os começos.
Que possam oferecer sons, música, arte para a confecção dessa subjetividade contra a qual conspiram as telas, a virtualidade, a ganância desenfreada.
Mas há mais no poema sobre a música do Daniel. Porque na arte sempre tem mais, incluindo a dúvida e a ambivalência que nos previnem de sermos radicais.
Somos transitórios, circunstanciais e, desde que nascemos, começamos a perder.
Mas somos também transcendentes.
Para conversar com a perda como tema nas músicas do Daniel, fiz este poema:

Do outro lado

A perda mói
mói
mói
mói e daí é que ela dói

afina a alma até o estilete
corta o corpo
corta o corpo
corta o corpo na existência

depois desbota
desbota
desbota
desbota até o contraste

o que era treta e traste
do outro lado é a arte

A arte não está aí só para editar livros, consumir músicas, vender quadros e esculturas.
Arte é para sermos seres capazes de contar a vida, expressar a vida e, assim, viver a vida.
A arte está aí para nos salvar.

Então, encerro com um terceiro poema (avisei que vinha como poeta), fruto de meu trabalho com crianças que sofrem.
Isso inclui um espaço individual em consultório, mas também nas comunidades carentes, contando histórias, ou seja, oferecendo às crianças olhar, toque, banho de sons, tudo isso que lança e relança uma subjetividade, base do que somos de melhor e não se forja com medicações ou telas.
Essas crianças chegam, muitas vezes tímidas, inibidas, enrodilhadas em seus traumas desse mundo a que chegaram.
Quando melhoram, depois de muita arte, depois de alguma ciência e muita espiritualidade, começam ou recomeçam a falar.
A perguntar.
Por que por que por que.
Ninguém aguenta responder, mas já estão salvas, a meu ver.
Já não serão radicais.
Já podem ser o que desejarem.
Tornaram-se tagarelas, título de um de meus poemas para a infância, no livro Ó senhor do picolé e outros poemas refrescantes, e que, aqui e agora, para o grande azar de vocês, eu vou cantar.
Eu vou cantar, porque, afinal, a vida é a oportunidade dos seus encontros e eu não seria louco de perder a oportunidade de cantar ao lado do Daniel.

A menina tagarela

A menina
tagarela
fala por si,
por ti, por ele
e até por ela,

como se fosse
assunto dela
do que é do cão
ao que é da gente
e da cadela,

nada escapa
da passarela
de suas palavras,
que rebolam
e dão bola
para todos,

a não ser
o silêncio
que, nos dias
sem menina,
é imenso.

Que não nos falte arte para sermos quem somos.
Que não nos falte arte para, depois de muito olhar, silêncio, toques e músicas, nos tornemos, irremediavelmente, tagarelas diante do mundo e seus assombros e suas faltas e sua esperança.

(1) Participação do autor em Painel do Ecosys un Summit, ao lado do músico Daniel Drexler. O evento aconteceu no dia 12/9, no Teatro da Unisinos.
(2) Pai de ex-aluna da escola, poeta, psicanalista, escritor e colaborador deste blog.

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